8.4.11

Humanidade



"O que Bruno von Falk tinha a ver com isso? Não era apenas soldado do Reich. Não estava movido simplesmente pelos interesses do regimento e da pátria. Era o mais humano dos homens. Pensou que procurava, como todas as criaturas, a felicidade, o livre desabrochar de suas faculdades, e que (como acontecia com todas as criaturas, infelizmente, nestes tempos) esse desejo legítimo era a todo instante contrariado por uma espécie de razão de Estado que se chamava guerra, segurança pública, necessidade de manter o prestígio do exército vitorioso."



O trecho acima foi retirado de um romance. Um romance escrito por uma judia. Um romance escrito por uma judia na França em 1942. Um romance escrito por uma judia que foi morta naquele mesmo ano, em Auschwitz.


Irène Némirovsky tinha 39 anos quando foi deportada para a Alemanha e morta no campo de concentração. Deixou, com a filha, as páginas manuscritas de Suite française, um livro que foi publicado 62 anos após a sua morte. Nele, Irène narra, de forma extremamente realista, o período de ocupação alemã na França durante a Segunda Guerra.
É através dos pequenos dramas, das minúsculas histórias das famílias afetadas pela guerra que a escritora torna muito palpável para o leitor o que deve ter sido este período para o cidadão comum, aquele que foi fortemente atropelado por um conflito entre nações que, aparentemente, não lhe dizia respeito.
'Suite francesa' não é um livro sobre a guerra, embora se encontre no cerne dela. É um livro sobre a natureza humana. Vemos, desfilando pelas páginas, situações diversas: a perda dos bens, a perda das vidas, a transformação das cidades e do cotidiano. As pequenas alegrias que passam a funcionar como tábuas de salvação diária, os gestos de solidariedade, as mesquinharias e pequenos conflitos que, no limite, têm o poder de revelar o pior da alma humana.
Mas o que é mais emocionante, na minha opinião, é a forma como Irène, em uma absoluta entrega à escrita, descreve os alemães, os invasores, os 'boches', como eram pejorativamente chamados pelos franceses. Aqueles que eram unanimemente odiados, no relato da escritora, são simplesmente, impressionantemente, surpreendentemente... humanos! Humanos como ela. Humanos como todos.
É o que vemos na descrição que reproduzi acima. Bruno von Falk é um soldado do Reich. Ainda assim... afirma a sua humanidade. Ele quer o mesmo que todos: ser feliz. À semelhança de Shylock - o personagem criado por Shakespeare para o 'Mercador de Veneza' -, que é judeu e reafirma a sua humanidade pela semelhança com outros homens, seus desejos, reações e aspirações, o personagem de Irène também o faz.
Irène sabia que seria deportada. Como judia, antevia que seu fim seria em um campo de concentração. No bilhete que enviou ao seu editor, referindo-se ao livro, ela escreveu: "Caro amigo... pense em mim. Escrevi muito. Suponho que serão obras póstumas, mas isso faz passar o tempo." Ainda assim, conseguiu ter a lucidez de olhar de frente o seu algoz e enxergar a sua humanidade.
Em 1960, Hannah Arendt chocou alguns ao escrever "Eichmann em Jerusalém: um retrato sobre a banalidade do mal", livro no qual relata o julgamento do famoso nazista e o descreve como o que ele realmente era: não um monstro, mas apenas um funcionário. Medíocre, pequeno, banal, cumpridor de ordens. Ela quis tratar, na verdade, sobre a capacidade do Estado de transformar o exercício da violência homicida em um ato burocrático, através da sua tradução em gráficos, estatísticas e metas a serem atingidas. Arendt mostra, através de Eichmann, como as pessoas passam a ser agentes neste processo e não se sentem responsáveis, escondidas atrás da velha e puída cortina de 'eu estava cumprindo ordens'.
Irène Némirovsky, vinte anos antes, conseguiu, de maneira comovente, transformar isso em arte.

7.4.11

Epígrafes


Adoro epígrafes. Acho que elas fornecem um 'mapa' para quem vai começar a ler um texto, seja este de que ordem for: conto, crônica, ensaio, artigo, romance.
É como se quem escreveu o texto tentasse condensar o que irá dizer nas tantas páginas que se seguem naquela frase inicial, naquele trecho, naquela citação. Para mim, é como se ele me dissesse: 'Olha, o que vou tratar nesse monte de letrinhas que estão à sua frente é mais ou menos isso aqui. Dá uma olhada para ver se te interessa...'.
Acho interessante verificar a forma como, de acordo com as mudanças na obra de um autor, ele também vai modificando o tom das suas epígrafes, e vice versa. Um dos escritores brasileiros que mais gosto é o carioca Rubem Fonseca. E adoro a habilidade com a qual ele lança mão das epígrafes nos seus livros! Cada uma delas dialoga com as que lhe antecedem e sucedem, dando origem quase a uma narrativa à parte.

Mas, na verdade, esta conversa toda é por conta de um livro lindo, que possui uma das epígrafes mais bonitas que já li, e que diz:

"A missanga, todas a vêem.
Ninguém nota o fio que, em colar vistoso, vai compondo as missangas.
Também assim é a voz do poeta: um fio de silêncio costurando o tempo"

A epígrafe abre o livro de contos 'O fio das missangas'
, do escritor moçambicano Mia Couto.

1.4.11

Encontros

Lendo um interessante trabalho de conclusão de curso de arquitetura, que desenvolve considerações a respeito do papel da arquitetura no cinema, lá pelas tantas me deparo com a relação que o autor ressalta entre a obra de Edward Hopper e Alfred Hitchcock, mostrando, imageticamente, exemplos de situações nas quais as cenas do pintor norte-americano serviram de inspiração ao diretor inglês. A mais famosa delas: a casa de Norman Bates, em 'Psicose', que é, ipsis literis, recriada a partir de uma tela de Hopper.

Hopper - House by the railroad, 1925


Residência de Norman Bates no filme Psicose

Fiquei pensando, a partir daí, em outros exemplos deste tipo de encontro entre dois artistas, nos quais o trabalho de um serve de inspiração ao outro. Há muitos posts atrás, citei uma dessas situações, que envolvia Godard e Bertolucci, respectivamente em 'Band à part' e 'The dreamers'. Ali tratava-se de uma citação, uma homenagem de um cineasta a outro e, ao mesmo tempo, uma forma de salientar que a questão que havia suscitado aquela cena em 1964 havia se tornado ainda mais presente em 2001.
Lembrei então, de outro encontro que gosto muito e que, por não envolver artistas muito conhecidos, normalmente passa despercebido: o encontro entre Jack Vettriano e Leonard Cohen. Não tenho idéia se eles já se encontraram pessoalmente alguma vez, mas são freqüentemente vistos juntos em situações como essas:





Dance me to the end of love - Vettriano, 2006




Her secret life - Vettriano, 2006





O trabalho de Vettriano, na verdade, é profundamente influenciado pela música. Várias de suas telas possuem títulos de canções bastante conhecidas, mostrando o quanto um artista nunca tira nada do nada, o quanto uma obra é sempre o resultado de uma teia de relações que se estabelece na mente de seu criador entre tudo o que a povoa e algo concreto - uma música, um livro, um filme, uma pintura - que ele quer jogar no mundo. Esse é o melhor argumento para justificar que, não importa a área a qual se pertença, o tema que possa nos interessar e o foco dos nossos trabalhos, o conhecimento, qualquer que seja ele, sempre nos trará a possibilidade de estabelecermos ligações inusitadas, construirmos perspectivas inovadoras e aprimorarmos a nossa criatividade...





29.3.11

Família, família...


... "cachorro, gato, galinha. Família, família"... Já cantavam os Titãs em meio aos tumultuados anos oitenta. E família é sempre uma questão complicada! Quem está bem resolvido com a sua (mas com ela in-tei-ra!) que ouse discordar...
Famílias são difíceis: na maioria das vezes têm competição, intimidade invasiva, sentimentos conflitantes, rixas antigas, amor sufocante e controlador, gente demais e noção de menos.
Se para nós, pobres mortais, lidar com a família às vezes é complicado, podemos imaginar como deve ser para um grupo tão cheio de estrelas e criatividade quanto os Coppola. E o membro mais famoso dela literalmente joga as questões que o incomodam no ventilador. Família foi o mote de vários filmes de Francis Ford Coppola (não preciso nem mencionar a trilogia 'The godfather') - e sua última obra não foge à regra: 'Tetro' é sobre a família e seus pequenos dramas que, como mostra o diretor, podem se tornar grandiosos. O roteiro foi escrito também por ele, e as referências à antiga rixa entre seu pai, o músico e compositor Carmine Coppola e seu tio, o maestro Anton Coppola, são inegáveis e explícitas.
Coppola trabalha, em Tetro, afastado dos grandes estúdios, realizando e produzindo seu filme de maneira independente. Ele vai para Buenos Aires. E, em uma das cidades mais coloridas do mundo, realiza um filme em preto e branco. Filma o presente com cara de passado - em um p&b cheio de contrastes duros tomados em várias cenas que se passam à noite - e o passado com jeito de presente, colorido, como que a indicar a sua constante interferência no tempo atual, no qual os antigos dramas ganham outras nuances ao serem relembrados e revividos.
As interpretações ajudam: Vincent Gallo como o escritor atormentado constrói um personagem incômodo e irritante, e Alden Ehrenreich, com uma constante expressão de atordoamento de quem acabou de cair de uma caminhão de mudanças, faz o contraponto à densidade do personagem de Gallo, o Tetro que dá título à película.
A mensagem do roteiro é quase pedagogicamente explícita: nada importa tanto quanto os laços que unem as pessoas. Não há arte, nem fama, dinheiro ou sucesso que substituam esse irritante e adorável grupo que acostumamos a chamar de 'família'.

Um treino para o diálogo com a humanidade


O artista Hélio Leite trabalha criando miniaturas. Usa botões, caixas de fósforo, pequenas figuras humanas. Faz um trabalho criativo e inteligente. Mas, para além disso, também cria miniaturas criativas e inteligentes com as palavras.
Mas o que são 'miniaturas de palavras'?, você vai me perguntar. É simples, é fazer com que a palavra se detenha do detalhe, na minúcia, naquilo que normalmente passa despercebido em meio à grandiosidade dos discursos, das vozes cada vez mais alteradas da pós-modernidade, da espetacularização que parece tomar conta da vida.
Este vídeo é parte de um projeto chamado "O que é tristeza prá você?", cujo realizador faz entrevistas com diversos artistas. O de Hélio é um primor. Sua voz tranquila e seu trabalho, que apesar de miniaturizado, é eloqüente, completam as suas palavras, que tratam, dentre outros assuntos, do prazer de fazer o que faz, que ele, modestamente, define como 'artesanato'. Ou, de forma poética, 'um treino para o diálogo com a humanidade'.
Hélio é um defensor de que trabalho e prazer não são coisas inconciliáveis, e afirma: "quando a gente vai procurar o que fazer dentro da gente, a gente sempre acaba fazendo o que gosta. E fazer o que não gosta é o pior desemprego do mundo".
Concordo plenamente.



19.3.11

Deve ser falta do que fazer...


Às vezes, no meio de um livro, um parágrafo me faz estacar. Leio da primeira vez, vou em frente. Mas ele me puxa de volta. Obediente, eu volto. Leio de novo. E mais uma vez. E paro de tentar ir em frente. Já conheço o processo, vou passar umas duas horas pensando naquilo. Não vou conseguir dar atenção plena ao resto do livro naquele momento. É um saco e é bom.
Hoje o trecho que me fez parar foi esse:

"Quando o trem parou na Bahnhof, em Munique, os passageiros saíram como que de um embrulho rasgado. Havia gente de todas as classes, mas, em meio à ela, os pobres eram mais fáceis de reconhecer. Os empobrecidos sempre tentam continuar andando, como se a relocação ajudasse. Desconhecem a realidade de que uma nova versão do mesmo velho problema estará à sua espera no fim da viagem - aquele parente que a gente evita beijar."

Fico com vontade de 'roubar' o trecho, isolá-lo do corpo maior do livro ao qual ele pertence e começar a escrever algo totalmente novo a partir dele. Deve ser falta do que fazer...
Ah, a qual livro o trecho pertence? Não vou dizer! Vai que meu primeiro best seller surge dele...

18.3.11

Vamos dar um passeio?

Sempre gostei da idéia de começar um texto como se fosse um convite. Várias textos que escrevi iniciam-se com perguntas, ou as apresentam encravadas lá em seu miolo. Para mim, é como se eu tomasse o leitor pela mão e chamasse: "vem, vamos lá, fazer isso comigo?" E, se pensarmos bem, é isso mesmo que acontece. O texto é sempre uma construção conjunta da qual participam quem escreveu e quem está lendo. Como de resto, qualquer outra criação, seja do campo das artes ou da teoria. Emissão e recepção, diria o pessoal das teorias comunicacionais.
Este texto que trago aqui é exatamente isso; um convite para que, ao ler as minhas impressões a respeito de uma exposição que relaciona a cidade e as suas representações nas histórias em quadrinhos, o leitor dialogue com elas, e 'visite' a mostra junto comigo.
E então, que tal fazer um passeio?

(Coloquei aqui no blog as páginas da revista na qual o texto foi publicado, mas para ler o texto na íntegra, você pode ir a http://www.emetropolis.net/component/content/article/16/69-que-tal-um-passeio-ate-a-banca-de-revistas )

Depois de um ano, resolvi mudar o visual do blog. A mudança estética da página marca também uma fase de grandes mudanças pessoais. Obrigada a todos que passam por aqui de vez em quando para conferir, deixam recados ou comentam comigo depois o que acharam. É muito bom ter esse retorno!























22.2.11

Menos é mais







Um rapaz vai praticar montanhismo durante o final de semana. Justamente quando está atravessando uma enorme fenda em uma rocha, escorrega e cai. Fica com a mão direita presa por um pedaço de rocha durante cinco dias. Consegue escapar cortando o braço. Fim.



Pronto. Contei todo o enredo de '127 hours', o filme de Danny Boyle que está concorrendo ao Oscar. Não considero a premiação grande coisa, especialmente em um ano no qual, entre a lista dos concorrentes, está 'Toy Story 3' (Nada contra o filme, acho os bonequinhos extremamente divertidos, mas daí a concorrer a um dos maiores prêmios do cinema vai uma enorme distância...), mas o filme de Boyle me chamou a atenção. Não porque seja um grande filme, mas pela mágica que o diretor, que é também o roteirista, ao lado de Simon Beaufoy, conseguiu fazer: extrair, destas quatro linhas que escrevi acima, um filme de duas horas. Mais ainda que isso: um filme no qual a maioria absoluta dos espectadores que vai assisti-lo já sabe exatamente o que vai ver, já que se trata de uma história real. E ainda assim se surpreende.
O roteiro e a direção são criativos, inteligentes, inesperados. Passamos a quase totalidade do filme acompanhando as tentativas de Aron Ralston (interpretado de forma leve e competente por James Franco) para se livrar da infeliz rocha que o prende e, ainda assim, só nos sentimos sufocados quando esta é claramente a intenção do filme. Para além das cenas mais pesadas e angustiantes (entre as quais está, claro, a cena do corte do braço), a película consegue em alguns momentos ser quase divertida, mesclando as memórias, as alucinações e o desespero do personagem.
Boyle, diretor de filmes tão diversos quanto 'Slumdog millionaire' e o genial 'Trainspotting', trabalha, em '127 hours' segundo a máxima do arquiteto alemão Mies van der Rohe: menos é mais. De um roteiro que se pode contar em quatro linhas, ele extrai uma história angustiante e criativa.
O diretor Alfred Hitchcock dizia que, no fim das contas, o material com o qual ele trabalhava era composto de luz e sombra: pura ilusão. E que, a qualquer momento do filme, o espectador poderia segurar os braços da sua poltrona e se lembrar que o que ele via na tela não era real, reais eram os braços da poltrona na qual ele estava sentado. Mas, continuava Hitchcock, se ele fizesse o seu trabalho de forma competente, o espectador esqueceria que sua poltrona tinha braços. É um pouco isso o que Boyle faz: ao terminar o filme, nos assustamos de perceber que não estamos em Utah, que não passamos fome, sede e desespero durante cinco dias, e, principalmente, que a nossa mão direita ainda está lá, pregadinha ao nosso braço.

9.2.11

"Foi o que meu coração ditou"










1989, dias depois da queda do Muro de Berlim. O músico russo Mstislav Rostropovich leva seu violoncello para a frente de uma das partes ainda existentes do muro. Senta-se em um banquinho e... toca. Sem fazer alarde disso, sem avisar a imprensa, nada. Só ele e a música. Felizmente para nós, alguém que sabia a dimensão daquele artista que se apresentava ali, filmou parte do concerto.
Vi pela primeira vez este vídeo no Museu 'Checkpoint Charlie', em Berlim. Em meio a tantas histórias interessantes (o museu narra as tentativas - bem e mal sucedidas - das fugas que aconteceram durante todos os anos em que o muro dividiu a cidade), este vídeo talvez tenha sido o que mais me tocou. Simplesmente porque ele deixa explícito um dos maiores poderes da arte: o de fazer política.
Rostropovich, defensor dos direitos civis na União Soviética, foi destituído de sua cidadania por defender a liberdade, perseguido por suas idéias, teve amigos presos e, mais tarde, acabou se tornando um dos líderes do movimento democrático que floresceu no país e conduziu à abertura. Um homem profundamente engajado e envolvido com os rumos políticos da sua nação. No momento desta vitória, porém, neste momento histórico da queda de um muro que originou a expressão 'muro da vergonha', e que, desde 1961, dividia um país, uma cidade, famílias, vidas, e a própria história, este excepcional artista escolhe... simplesmente exercer a sua arte!
Questionado depois sobre o motivo de tê-lo feito, o músico respondeu: "Foi o que meu coração ditou".

P.S.: Aos amigos que têm me perguntado se continuarei com o blog, ainda não tenho uma resposta definitiva. A motivação para o seu início foi manter, durante o ano da minha estadia em Paris, em relato da experiência, e contato com as pessoas que havia deixado aqui no Brasil. Havia pensado em finalizá-lo quando retornasse. A experiência, porém, mostrou-se tão prazerosa para mim que tenho pensado em continuar, agora com o objetivo inverso: manter a ligação com os amigos da França. E, tentar, ao mesmo tempo, desenvolver mais os assuntos que me interessam: arte, cinema e cidade.

24.1.11

Um mês depois...


Pablo Picasso
Moça em frente ao espelho (1932)













Uma metade lá.
Uma metade aqui.
Duas pessoas se olham, se vêem como em um espelho, mas, também como em um espelho, sabem que o que elas vêem não é o real. É invertido, é refletido, é trocado.
Entre elas, um oceano, um ano, muitas vivências. Alegrias, dores, inseguranças, sucessos, fracassos.
Ainda não consegui juntar as duas metades de mim.